Fonte: Jornal O Estado de São Paulo 03/02/2003 Mariana Barbosa
Em SP, Banco de Alimentos mata a fome de 18,5 mil. Iniciativas semelhantes devem ser um dos pilares do programa Fome Zero
A criação ou multiplicação de "bancos de alimentos" é uma das ações do programa Fome Zero. Dentre os modelos que servirão de inspiração está a iniciativa da Prefeitura de Santo André, que consiste na arrecadação e armazenamento de sobras da Central de Abastecimento de Santo André (Craisa).
Outros municípios têm investido na iniciativa. Em São Paulo, por enquanto, o banco de alimentos tem servido como posto de arrecadação de doações, como suporte para campanhas como a Natal Sem Fome.
Outra iniciativa de sucesso, é a ONG Banco de Alimentos, com quatro anos de estrada. Primeira iniciativa privada brasileira de distribuição de comida a partir do aproveitamento de alimentos que antes iam para o lixo, a ONG reclama, contudo, de não ter sido contatada pelo governo federal para apresentar sua experiência. "A parceria com a sociedade civil não pode ficar só no discurso. Tem muita gente fazendo coisa séria e eles poderiam nos chamar para conversar", afirma Luciana Chinaglia Quintão, 40 anos, empresária e fundadora do Banco de Alimentos. "A autoria não importa. Se a idéia for multiplicada, melhor para o País. Mas é preciso aproveitar as experiências que já existem, pois precisamos somar esforços para maximizar os resultados."
Escolhido pela Comgás para uma campanha de mídia nos três primeiros meses deste ano, o Banco de Alimentos recebe 30 toneladas de doações de grandes indústrias alimentícias e de mercados hortifrutigranjeiros. Depois de processados, os alimentos são distribuídos a 40 entidades, proporcionando três refeições diárias para 18.500 pessoas a cada mês.
O Banco de Alimentos não trabalha com sobra de restaurantes, o que é proibido por lei. A ONG também contribui para o meio ambiente, reduzindo o volume de lixo. "O Brasil desperdiça 39 milhões de quilos por dia. Isso dá para alimentar 19 milhões de pessoas com três refeições diárias", diz Luciana. |